Curiosidades DJs

Mau Maioli segue consolidando sua “bolha” de referências e celebra lançamento de novo EP

outubro 10, 2018Portal Underground


Mau Maioli é o tipo de artista disposto a movimentar sua carreira de diferentes formas. Com um perfil ativo e eficiente nas redes sociais, ele se comunica com sua base de fãs, que aumenta a cada nova gig de maneira orgânica e merecida. Mas, obviamente, não para por aí!

No estúdio, Mau segue um caminho de evolução flertando com diferentes estilos e, aos poucos, definindo um perfil sonoro claro e assertivo. Já nas pistas ele não se preocupa com a limitação imposta pelos gêneros e através de suas residências tem construído um perfil sólido e principalmente versátil.

Inegavelmente, Maioli faz parte de uma geração que cresceu conectada às inovações tecnológicas e sentiu na pele a importância do tão falado DIY - Do It Yourself. Isso fez com que ele tomasse o controle das decisões profissionais desde muito cedo e hoje o resultado disso tudo é um artista jovem e maduro.

No dia 28 de Setembro, Mau Maioli lançou pela Urban Soul, gravadora brasileira comandada por Kleber e tarter, o EP Bubble. O release chegou as plataformas digitais com 3 faixas originais e 3 remixes assinados por VAntônio, Against the Time e o próprio tarter. No embalo do importante lançamento, convidamos Mau para um bate-papo por aqui:

1 - Olá, Mau! Tudo bem? Bubble deve ser um dos lançamentos mais importantes da sua temporada, certo? O que exatamente serviu de inspiração para composição desse release?

Olá, tudo sim! Bubble é sim o lançamento mais importante deste ano. Para inspiração do EP, noto que ele mostra muito da minha evolução interior, musical e técnica. Além disso, no nome dele já temos uma pitada dos meus pensamentos sobre evolução. Hoje necessitamos criar a nossa bolha, para conseguirmos absorver coisas boas (sejam elas músicas, filmes, energias, leituras…) e eu vejo uma necessidade cada vez maior em relação a isso, que deve ser cuidada com muito carinho, para que não ocorram distrações e mudanças erradas no percurso e no objetivo que queremos alcançar.

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2 - É possível dizer que você é um dos mais jovens entre os principais players do mercado. Na sua opinião, até que ponto sua pouca idade ajuda e atrapalha o desenvolvimento de sua carreira?

Então, é muito curioso isso, pois o meu EP diz muito sobre essa minha pouca idade. Foi a partir dele que eu notei que a idade faz diferença em alguns aspectos. Creio que sempre vou ter dúvidas, vou querer evoluir, mudar, abrir a mente para novas ideias, mas também sei que artistas mais experientes, já criaram a sua bolha de uma forma mais consolidada e com isso acabam se favorecendo na hora de criar, de pensar, de absorver determinados conteúdos ou apenas bloquear os mesmos da sua vida. Mas o lado bom dessa “falta” de uma bolha consolidada, é que esse processo de criação, construção e evolução é INCRÍVEL - ainda mais na época em que vivemos. Por mais que muita informação possa ser ruim, temos tudo na palma da nossa mão e a liberdade de criar sem medo e observando que o mundo é cheio de possibilidades me deixa mais entusiasmado para continuar nessa jornada.

3 - Não dá pra negar que uma carreira na música eletrônica ainda é algo um tanto quanto instável para maioria dos DJs e produtores em desenvolvimento no Brasil. Essa parte que reflete diretamente no aspecto financeiro te preocupa em algum momento? Como você tem buscado lidar com isso?

Com certeza, em quase 6 anos de carreira (desde os 15), tive meu momento de visão de que é isso que eu quero para minha vida e desde então eu comecei a trabalhar, pesquisar e estudar mais, pois sabia que como qualquer carreira essa também teriam suas dificuldades. Claro que no meio do entretenimento/cultura no Brasil, precisamos evoluir profissionalmente e notamos que as crises econômicas afetam grande parte do mercado.

Com o fechamento de clubs, menos festas e com esse momento em que o país está, tenho total clareza de que devo exercer mais papéis que sejam relacionados ao que eu gosto de fazer. A faculdade de Publicidade e Propaganda me ajudou a criar uma outra possibilidade de trabalho e, além disso, tenho unido meu conhecimento em um material, ao qual vou poder dar aulas particulares de produção musical (a qual sempre tive vontade, fui incentivado por diversas pessoas, e creio que posso colaborar, e aprender muito também). No momento, tenho feito parte da administração de dois clubs, um onde estou a mais tempo e outro onde estou dando os primeiros passos. Tenho certeza que vamos colher bons frutos desse trabalho árduo que é estar dentro de um club no Brasil.

Finalizando essa pergunta, percebi que o medo ou a insegurança fazem parte de qualquer carreira e pessoa (ainda mais quando você tem 22 anos de idade), mas se olharmos para a quantidade de ligações que podemos fazer através da carreira musical, teremos muitos trabalhos aos quais podemos evoluir e nos sentir orgulhosos de fazer parte. Notamos a evolução de tudo que acontece aqui e o futuro desse mercado no nosso país tende a ser incrível - isso também depende de nós, precisamos colaborar para o crescimento.


4 - Já escutei alguns sets seus de techno e outros com uma atmosfera disco/house. Essa versatilidade é algo que você tem buscado se aproximar ou distanciar quando está na pista? E no que diz respeito aos trabalhos de estúdio?

Esse assunto diverge muito com a pergunta sobre minha idade. Minha versatilidade vem muito de querer explorar e conhecer as mais variadas formas de criação dentro da pista, seja começando um set com Techno e tocando disco/house durante ele (tenho feito muito isso) ou fazendo um set inteiramente de house, techno, disco. Estou crescendo, amadurecendo ideias, pesquisando mais e vendo que com isso eu crio a minha própria personalidade. No estúdio meu processo de amadurecimento tem sido diferente do que na pista, percebo que minhas produções caminham muito para o Techno. mas é claro que as vezes eu mesmo falo para mim: tá, vamos criar outro som (seja house, eletronic ou ambient).

5 - Dentro do DJing, quais são os artistas que realmente te inspiram? Por quê?

Toda essa forma de explorar novas formas de desenvolvimento de set, vem muito de experiências que vivi e artistas que conheci nas duas edições do Dekmantel que acabei indo aqui no Brasil. Anthony Parasole foi um artista que mostrou que sim você PODE fazer o que quiser, destinar um set especialmente de House (e dizer que essa apresentação vai ser inteiramente com sua pesquisa e suas produções de House music), ou ok, você quer fazer um set só de Techno.
Outro artista que aí praticamente “explodiu minha cabeça” foi o Four Tet. Ele mostrou versatilidade e criatividade mixando (ou apenas baixando o fader de um canal e levantando o de outro). Existem dois nomes que atualmente eu tenho acompanhado mais que é o Baba Stiltz por conta de suas produções e a Nastia pela sua técnica e pesquisa musical. Ela é outra DJ que vai do house ao techno, breakbeat e seja lá o que você queira conceituar, ela toca música.
Eu caminho cada vez mais para formas criativas e por vezes simples de mixagem e de seleção musical. Afinal, eu posso explorar outras vertentes dentro de um set só, temos exemplos diários disso é só abrir o soundcloud e ouvir que tá mais do que na hora de você criar a sua ideia como DJ.



6 - Apesar de jovem, você é um DJ com duas residências muito importantes dentro da cena gaúcha: Beat on Me e Levels. O que você tem aprendido de melhor em cada um desses projetos?

Essas duas residências tem pontos bem distintos e isso me faz ter diversas experiências. Começando pela Beat On Me, que foi a festa em que criei junto com o Cris F. e além de residente acabo colaborando na criação e planejamento da festa toda, então com isso tenho a visão do contratante, do designer, do produtor de evento e consigo perceber que o residente tem um papel importante dentro da marca, pois este artista dá a cara para a festa e é ele quem pode trazer novas músicas para pista ou quem vai trazer aquele clássico, pois ele mais que ninguém é quem conhece aquela pista.
Já na Levels, têm se criado uma nova história. Uma das maiores festas no Rio Grande do Sul, onde na minha última participação eu peguei uma pista para encerrar com 3.500 pessoas, após 12 horas de festa. A Carol e o Felipe tem me oportunizado dividir cabine com grandes artistas e isso confirma a importância do residente. Outra abordagem que é um pouco nova para mim é na conversa que tenho com eles a cada edição que me apresento. Cada festa vai ter uma nova história, com diferentes artistas e obviamente que a forma como vou pegar a pista será diferente, então essa conversa antes da festa e o “briefing” passado me ajuda muito na hora de executar minhas ideias musicais na pista.



7 - Para fechar: comenta pra gente um pouco sobre cada um dos remixes escolhidos para o Bubble EP? Obrigado!

Primeiramente, queria agradecer pelo espaço e pelo convite, é muito importante poder compartilhar minhas ideias. Os nomes para remixar esse EP surgiram de forma natural. Against the time, Tarter e VAntonio são amigos que sempre pude trocar ideia e sempre admirei o trabalho de cada um. Eles me ensinaram muito até hoje e eu queria muito que eles pudessem participar de alguma forma desse projeto que para mim é muito importante. Notamos que cada remix tem a personalidade de cada um com a ideia das minhas músicas originais. Tô muito orgulhoso da construção desse trabalho e fico muito grato por ele estar se concretizando.

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