Art in Motion Curiosidades

Para Art in Motion, tocar as pessoas é a principal missão da música. Confira entrevista exclusiva!

setembro 06, 2017Portal Underground


Na vanguarda da música eletrônica carioca, Art in Motion celebra um momento de muito trabalho relacionado a música, seja em sua gravadora ou em com seus compromissos enquanto DJ e produtor musical. Com alguns bons releases programados até o fim do ano, ele fala com exclusividade ao Portal Underground sobre algumas das melhores lembranças relacionadas ao Sul do país, planos para a gravadora e a missão que possui enquanto músico. Confira:

Olá, Vicente! Obrigado por nos atender. Esse ano a Plano B Records está com uma boa demanda de lançamentos. O que tem motivado vocês a realizar esse trabalho? Quais são os próximos lançamentos? 

Olá! Obrigado vocês por me receberem! Bom, após ter trabalhado com algumas labels eu vi o quanto era importante um planejamento a longo prazo, um investimento maior em um bom sistema de promos e remixes aliado a uma curadoria mais cuidadosa e fiel ao que realmente acreditamos. Esse ano convidei meu amigo e DJ Iagon para entrar de sócio na gravadora e ele tem me ajudado muito a alcançar nossas metas! 

O próximo release conta com a faixa original do Gabriel Moraes , um remix meu e um segundo remix do alemão Jiggler - da dupla Channel X. Na sequência temos um VA de aniversario de 6 anos da label com 6 artistas nacionais, eentre eles Mumbaata, Flow & Zeo, Akken, Vkira e Maz & Hopper.



Morar no Rio de Janeiro certamente é uma experiência pessoal enriquecedora. De que forma a cidade contribui para sua evolução enquanto artista? Em algum momento você já pensou em se mudar para um polo mais agitado dentro do cenário eletrônico?

Como qualquer cidade o Rio tem pontos negativos e positivos, mas com certeza é uma super fonte de inspiração diária e com uma boa qualidade de vida - tirando a violência, já que há praias e cachoeiras a poucos minutos de distancia da sua casa. Com certeza aqui temos uma diversidade cultural muito grande (o que é bom e ruim para a cena eletrônica da cidade), é uma metrópole cheia de contrastes e com uma geração de novos artistas muito talentosos em varias áreas. 

Porém, a falta de espaços para festas, shows, teatros, exposições ainda é um bloqueio que poderia alavancar ainda mais a nossa cena. Já pensei em me mudar algumas vezes, possivelmente ano que vem devo ir para Berlim ou Portugal, uma ideia que já está na minha cabeça há alguns anos.


Qual a sua visão sobre o mercado da música eletrônica no Rio Grande do Sul? Quais foram suas melhores experiências por aqui? 

Eu já toquei algumas vezes por aí e é sempre incrível, publico bem antenado e pista vibrante. Acredito que aparecendo mais clubs e artistas locais a cena tende a crescer e se desenvolver! 

Duas experiências que lembro bem foram: a primeira vez que toquei em no RS em Frederico Westphalen com o Do Santos na Green e uma grande noite no Chakra Club com os amigos Fabian Argomedo e Bruno Snupi. Sensacional!

Pensando em nível de produção, você enxerga os artistas brasileiros em um nível semelhante aos principais artistas internacionais? O que falta para nossos artistas romperem mais fronteiras?

Sim, acho que estamos chegando lá aos poucos. Eles já desenvolvem a musica eletrônica há anos lá fora, muita gente produzindo e aqui isso está acontecendo agora. Poucos produtores tinham estúdios há 15, 20 anos atrás no Brasil. Não que você precise ter um puta estúdio pra fazer música, mas vários desses grandes artistas tinham e tem acesso a estúdios e engenheiros com uma boa monitoração, sintetizadores e periféricos que fazem a diferença em termos de qualidade na finalização.

Mais gente produzindo, mais estúdios, mais artistas, mais musica... isso tudo eleva o nosso nível de produção, além da troca de informação que é maior, acaba aparecendo mais gente querendo sair da caixa e naturalmente nascem coisas novas. Temos alguns artistas rompendo fronteiras com um nível semelhante aos gringos lançando em grandes gravadoras, isso já é um passo interessante!

Possivelmente em breve seremos um dos grandes berços de produtores de musica eletrônica no mundo. Temos muito a explorar e agregar ainda!


Sobre lançamentos: o que você está preparando para o restante do ano? 

O meu próximo remix para o Gabriel Moraes saí agora no inicio de setembro pela Plano B. Em outubro tenho um EP saindo por uma gravadora nova de Amsterdam que conta com um super remix de um produtor português que tem lançado pela Innervisions! Também em outubro deve sair o meu remix para a dupla NZPA na Austro Music, selo da Som Livre. Além disso, tenho 2 faixas novas com o produtor Against The Time e mais algumas que ainda estou aguardando respostas.

Esse ano você lançou um remix da faixa Amor Geral, original da Fernanda Abreu. Como foi desenvolver esse trabalho diretamente ligado a música pop, mas com uma abordagem conceitual?

Eu cresci ouvindo Michael Jackson o rei do pop que por sinal é um dos grandes ídolos da Fernanda. Escolhi essa faixa muito pela mensagem que ela passa e o momento atual que vivemos no Brasil e no mundo. O vocal por ser mais falado me possibilitou editá-lo e dar mais enfase em algumas partes. Eu procurei seguir com arranjo simples, minimalista e com o groove em destaque. A track saiu bem ao natural. 



Todo profissional carrega consigo um objetivo. Qual é o seu junto a música? 

Eu tenho alguns, ainda estou desenvolvendo o meu som na busca do que posso trazer de diferente dentro do que eu gosto, quero ter outros projetos, conectar com mais pessoas, levar a minha música a outros países. Tenho muitas ideias para a gravadora e um sonho distante de tocar com uma banda no futuro.

No momento estou trabalhando no meu live, vai ser um passo importante para começar a tocar apenas as minhas músicas. Ser respeitado pelo que você é e conseguir viver do que você acredita, acho que seria o meu ''main goal''

Um dos principais objetivos de um artista é tocar as pessoas com sua arte, se conectar com elas por um momento que seja! É muito legal quando você acaba de tocar e alguém vem agradecer pelo seu set, dizer que você conseguiu tocar ela de alguma maneira. Outro dia recebi a incrível mensagem de um festival do Egito ''Like I said it was one of those moments at the festival where all 3.500 people were united'' falando sobre uma musica do meu projeto Akken e pedindo para usá-la no vídeo tema do festival. Esse é o verdadeiro poder da música. (pra mim foi um dos maiores elogios que já recebi em toda carreira e não tem preço)

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