Espaço Sentando a Lenha Mezomo

Espaço Sentando a Lenha 004 - #sentandoalenha podcast + entrevista com Mezomo

maio 05, 2016Portal Underground


Esta semana, o núcleo Sentando a Lenha vem até o Portal Underground com o podcast feito por Mezomo, mais entrevista! Confira:

Bruno Mezomo é figura importante no cenário eletrônico do sul do país. Através da idealização do projeto Sunset Sessions, o jovem DJ promoveu uma transformação no cenário musical da sua região, trazendo novidades e criando uma identidade para a cena local. Recentemente assinou com a D.AGENCY, uma das mais renomadas agências do país, e vem se tornando figura confirmada nos line-ups do club D-EDGE, em São Paulo. Mezomo falou conosco sobre suas primeiras e atuais influências e referencias, sobre seu trabalho na Sunset Sessions, sobre os planos para sua carreira e muito mais. Seguindo uma linha bastante imersiva, o mix entregue pelo artista com certeza vai levar lenhadores e lenhadoras a lugares distantes.



SaL: Olá Mezomo, seja bem vindo ao #sentandoalenha! Para começarmos, gostaríamos que contasse quando você percebeu que a música seria seu trabalho? 

Mezomo: “Muito obrigado pelo convite e parabéns pelo belo trabalho de disseminação da nossa música eletrônica! Antes da Sunset Sessions surgir eu já tocava havia cinco anos, nas festas da nossa galera e em pequenos eventos privados. Em Santa Maria quase nada existia, dessa forma nunca tive oportunidades para mostrar meu som em algum clube ou evento e portanto achava que jamais seria capaz de trabalhar com música. 

A Sunset Sessions foi então a ferramenta para que eu pudesse expor meu trabalho. Foi quando os eventos começaram à funcionar que as primeiras oportunidades externas surgiram, e eu vislumbrei uma pequena possibilidade de seguir esse sonho como profissão. Dois anos depois, a Sunset Sessions estabilizada e minha imagem como DJ já plantada, percebi que viver de arte talvez fosse possível… acabei a faculdade, larguei o emprego, investi no estúdio, e desde então esta é minha batalha diária!”


SaL: Quais foram suas primeiras referências na música eletrônica? E hoje, o que você mais tem escutado? 

Mezomo: “A coleção de discos de vinil de meu pai é considerável, cresci brincando com um toca discos velho e os lp’s de nomes como Jean Michel Jarre, Philip Glass, Kraftwerk, Laurie Anderson, Los Jaivas, entre outros. Achava surpreendente, no entanto ainda não tinha sido realmente fisgado. Foi quando eu tinha 16 que ganhei um cd com um set do Oliver Huntemann que mudou minha trajetória. Desde aquele dia, comecei a pesquisar sobre aquele som e outros, como Autistic, Khainz, Dataworx, Rekorder. Hoje em dia minha playlist continua bem ampla, variando entre nomes mais obscuros como Etapp Kyle, dubspeeka e Desta Cullen, até os mais musicais, como The/Das, Bebetta, Rampa.

SaL: Você já viajou bastante tanto tocando quanto por lazer. Teve algum artista ou uma música ou até mesmo uma situação que foi um marco para você? 

Mezomo: “Algumas situações legais já aconteceram. Estava em Nova York visitando a Halcyon record store, e comentei com o dono do lugar que gostaria de ir no Output ver Frank & Tony aquela noite, mas que a festa já estava sold out. Então ele disse para eu falar com o Tony, que estava atrás de mim comprando vinis. O cara nos colocou na guestlist e assistimos a festa inteira na cabine junto com eles e com os Bob Moses, foi demais!! O último set que me marcou foi o Villalobos na Amnesia ano passado, tocou após o Seth Troxler e acabou com tudo, curti muito quando ele tocou sua track própria ‘Baby’!”


SaL: Você é responsável pela curadoria de uma das festas mais importantes do RS. Qual seus critérios para selecionar os artistas? Como você encara a responsabilidade que isso emprega, tanto perante a marca quanto ao público?

Mezomo: “Acredito que as atrações que os curadores bookam moldam o gosto do público de uma região, além de dar a cara para a marca. É uma responsabilidade gigante. Para os headliners, consideramos o nível de ineditismo, a qualidade musical e de apresentação e é claro que precisamos mensurar a percepção deste artista perante ao público. É difícil quando o público tem conhecimento zero sobre o artista, mas não é impossível. Para as atrações locais, levamos muito em conta o nível de profissionalismo e pensamento à longo prazo. DJ’s devem ter uma fase de amadurecimento e evolução antes de assumir a pista de um grande evento, os que não desistem no meio do caminho e continuam levando como profissão são os que merecem oportunidades!”

SaL: Em 2015 você entrou pro casting de artistas da D-Agency. Como você analisa o impacto disso na sua carreira? Ter datas em um clube como a D-Edge com certeza ajuda na evolução do trabalho, quais fatores ou aspectos você acredita ter evoluído no último ano?

Mezomo: “Hoje deixei de ser apenas o ‘Mezomo da Sunset Sessions de Santa Maria’, para ser o ‘Mezomo da D-Agency de São Paulo’. Continuo batalhando com unhas e dentes pela nossa marca e evolução da nossa cena por aqui, mas agora tenho uma credibilidade maior perante à cena nacional para esta luta. 

O impacto de estar numa das maiores agências do país, naquela que é a mais alinhada com meu som, que tem os profissionais dedicados e com a mesma filosofia, e que tem o clube mais f*** de todos é gigante, assim como a responsabilidade também é. Pensar num set de 3 horas para fechar o D-EDGE é certamente um dos exercícios mais desafiadores que já fiz. Então acho que tenho evoluído minha pesquisa musical, além de trabalhar obsessivamente no estúdio à fim de otimizar minhas produções próprias.”


SaL: Vimos nesse último ano uma grande ascensão de nomes brasileiros como L_cio, Davis e Zopelar, entre outros. Que artista brasileiro que você diria que é a aposta para os próximos 12 meses?

Mezomo: “Estes citados são artistas únicos, que acredito que não surjam todo o ano, mas há outros nomes em plena ascenção. BLANCAh também já é uma realidade, gosto bastante do Lucas Arr e do Alex Justino e acho o som do Shadow Movement muito bom!”

SaL: Para finalizarmos, qual o lugar que você sonha em tocar hoje? Que track que não vai poder faltar?

Mezomo: “Um sonho particular seria tocar em uma Tribaltech, festival que ajudou à moldar minha filosofia musical. Outra meta para os próximos anos é a primeira data internacional, seguimos trabalhando! Costumo renovar completamente minha playlist de tempos em tempos, mas uma track que sempre gostei e ainda toco frequentemente é Simplemen do grande Maetrik.”



05/05/2016

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