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Espaço Sentando a Lenha 002 - #sentandoalenha podcast + entrevista com Gabriel Carminatti

abril 20, 2016Portal Underground



Natural de São Domingos do Sul (60Km de Passo Fundo), Carminatti tem obtido cada vez mais destaque na cena eletrônica do estado. Um dos destaques do aniversário de 1 ano do #sentandoalenha, ele tem se apresentado nos melhores clubes do estado, além de ter duas passagens pelo Amazon Club em Chapecó. Grande parceiro do #sentandoalenha, Gabriel nos falou um pouco sobre como deu seus primeiros passos como DJ e mais além como produtor musical. Falou também sobre suas influências e seus projetos para o futuro, e nos entregou um mix que é pura lenha.



SaL: Olá Carminatti, sempre bom ter você contribuindo conosco. Principalmente este ano você teve uma grande ascensão, mas muita gente não tem conhecimento da sua longa caminhada. Como e quando foi que você decidiu começar a discotecar?

Carminatti: “Olá, eu que agradeço ao #sentandoalenha pela oportunidade. Em primeiro lugar gostaria de agradecer. Sempre gostei e trabalhei com som, festas e música. Meu contato foi antes dos 10 anos com esse lance de música. Como não tinha muitos recursos, ouvia muita coisa antiga, tipo anos 70/80/90. Ouvia durante meses a mesma coisa, até que comecei a ouvir programas em rádios que tocavam musica eletrônica. Gravava as músicas que gostava em fitas pra poder ouvir no som que tinha no quarto, até ter um som melhor, que levava para as festas. A partir daí, como eu tinha som e era quem mais buscava músicas, comecei animar as festinhas de turma da escola, e como acabei gostando, cogitei começar a tocar em festas abertas ao público. Como não tinha equipamento pra isso, eu tocava com o notebook de outros DJs, ou levava meus CDs pra tocar com CDJ.

Por volta de 2009 comprei meu primeiro notebook e kit CDJ 100-s e percebi que tocar era algo que queria muito. Com o passar dos anos busquei conhecimento e referências e em 2010 caí de cabeça na música eletrônica. Em 2011, comecei a frequentar algumas festas legais do estilo, onde comecei a fazer amigos e trocar ideias com DJs, e aos poucos fui ganhando meu espaço.

Na antiga Casa Rosada, não rolava muita música eletrônica, e o som que tocava era mais comercial. Até que em 2012 assumi a pista eletrônica em quase todos os eventos, virei residente. Fazia sets de 6h por festa durante 2 anos, e a partir dessa oportunidade cada vez mais coisas boas aconteceram."


SaL: Existem casas que já trouxeram grandes nomes, nacionais e internacionais, para sua região. Quais festas te chamavam a atenção na época em que você estava começando a discotecar? A curadoria dessas festas te influenciava de alguma maneira?

Carminatti: "Na verdade eram em poucas casas que rolava música eletrônica na região. Então eu sempre ficava ligado nas que traziam DJs com mais frequência. Vou falar de algumas que me influenciaram:

O Moinho Nova Prata trazia ótimos DJs referência. Descobri vários DJs lá, e através deles, pesquisava e descobria mais coisas sobre a cultura da musica eletrônica.

A Destilaria, clube no qual faço minha estreia dia 07/05 num evento da Colours, por ser uma casa na cidade vizinha e ter tradição. Era um lugar que sempre quis tocar, pois tinha acesso fácil pela proximidade e também porque vários DJs que passaram por ela eram DJs que eu gostava, então se eles estavam tocando lá, eu também queria tocar.

E claro, a Beehive, que apesar de ter demorado a ter contato, pois não tinha idade e nem parceria pra frequentar, acompanhava pela internet tudo que passava por lá. Era uma das referências que eu mais me baseava pelos DJs que passavam pela casa e pelo lugar, que é irado. 

Outras casas que traziam bons DJs eram a antiga IN House que eu frequentei no começo, a Colours, a Casa Branca - a qual não cheguei a frequentar mas acompanhava, a SKY Tronic e o B Club, no qual toquei recentemente.

Fora do estado sempre acompanhei vários clubes, dentre eles: Warung, D-Edge e Amazon, onde neste ano fiz minha segunda apresentação."


SaL: Como tu te sentiu quando algumas dessas casas que tu tinha como referência se interessaram pelo teu trabalho?

Carminatti: "Na verdade tenho um amigo que sempre me falava: “Tenha calma, se fizer o que gosta com amor, a recompensa vem, não desista e corra atrás”. Quando consegui tocar nessas casas, algumas que eu não imaginava ter a oportunidade de tocar, foi aí que percebi que todo trabalho e esforço valeram a pena, assim como tudo que rolou até chegar onde estou. Com certeza me senti muito feliz pelo meu trabalho estar sendo reconhecido, acredito que tracei um objetivo e o conquistei."

SaL: Você tem releases em uma das labels que mais incentiva os artistas nacionais, a Not For Us, que tem lançamentos de nomes como Davis, Volkoder e Leo Janeiro, por exemplo. Como surgiu o interesse na produção musical? Como você vê o amadurecimento do seu trabalho? Quais são as projeções para esse ano?

Carminatti: "Verdade. Lancei um EP e tenho uma track num VA pela NTFr. A Not For Us com certeza é uma gravadora que esta se tornando referência no Brasil. Muitas tracks lançadas por ela já tiveram suporte por grandes nomes como Marco Carola, e muitos artistas de peso que admiro lançaram por ela como Volkoder, Anderson Noise, Junior C., Leo Janeiro, Rods Novaes, Darocha, entre outros, e isso é algo que vejo como muito positivo para mim. 

O interesse pela produção surgiu logo que comecei a tocar. Porém, os primeiros passos foram quando comprei um computador que não travava por inteiro na hora que abrisse um programa para produzir (risos). Não fiz curso, foi tudo a base de pesquisa, assistindo vídeos, tutoriais e conversando com produtores mais experientes. O meu trabalho tem amadurecido muito, cada vez que vou para o estúdio produzir vejo resultados melhores. Acredito que o amadurecimento está relacionado com muito estudo e vontade de trabalhar.

Para este ano tenho algumas metas, já tenho muitas músicas prontas e muitos projetos em andamento, mas estou filtrando tudo para criar uma identidade própria com qualidade, consistência e coerência. Além disso, pretendo formar novas parcerias e ajudar alguns iniciantes na produçāo. 

Como DJ tem muita coisa legal pra rolar. Estou trabalhando em um novo material, muitas ideias novas, mas isso tudo é surpresa ainda (risos). Gosto muito da maneira como o público tem conhecido e acompanhado meu trabalho. Acredito que o resultado de tudo reflete no público, e é em quem mais penso na hora de fazer meu trabalho. Meu objetivo é ver as pessoas felizes na pista. Para mim, o grande pagamento é receber o carinho do público."


SaL: Qual o artista ou música que te marcou como grande influência?

Carminatti: "Maya Jane Coles, Maceo Plex, Daniel Bortz, Danny Daze, Huxley, Adriatique são alguns que chamaram minha atenção de começo, mas para citar uma música que me marcou bastante eu escolheria 'Ruede Hagelstein The Noblettes - A Priori (Noir Remix)"


*Todo o material reproduzido aqui no Espaço Sentando a Lenha é de autoria do núcleo Sentando a Lenha


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