DJs Mario Aguirra

Entrevista com o DJ Mario Aguirra

fevereiro 05, 2015Portal Underground


Mario Aguirra, que já toca há mais de 15 anos na noite da capital gaúcha, é um DJ que sempre manteve sua carreira focado no público formador de opinião, e isto reflete na qualidade do seu trabalho, mostrando bom gosto e qualidade no seus sets. 

Ele pesquisa e trabalha músicas com um BPM mais lento dentro do seu estilo musical preferido, a House Music, mas, mesmo assim, procura não se prender a um estilo na hora de tocar, misturando sons e, a partir disso, desenvolvendo sets para fazer a pista dançar!

Mario Aguirra vem colhendo muitos frutos com o seu trabalho. Já assinou a trilha dos eventos da Casa Cor 2010 e do desfile do estilista Régis Duarte no Donna Fashion Iguatemi 2010. No início de 2011, foi chamado para ser residente no Palermo Hollywood Resto Bar, onde assinou o projeto For The Love Of House juntamente com o Dj Marco Madrys (Florianópolis - SC) explorando as mais variadas vertentes da House Music. Atualmente, é residente do El Basco Loco - pub com temática espanhola no Bom Fim onde ele produz a Let's Rock, uma noite com formato freestyle, onde há uma mistura de rock (clássico e indie), nu disco, deep house, funk/synth funk, acid jazz, lounge, soul e grooves. Também possui a Chacoalha, onde trabalha em parceria com outros DJs e faz parte da crew A Cabana.

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Que tal escutar um set do Mario Aguirra enquanto lê a sua entrevista?


Nome
Mario Aguirra

Trabalha como DJ há quanto tempo?
Há mais ou menos 18 anos.

É residente de alguma casa/label?
Atualmente, El Basco Loco - pub com temática espanhola no Bom Fim onde tenho a Let's Rock, uma noite com formato freestyle, onde faço uma mistura de rock (clássico e indie), nu disco, deep house, funk/synth funk, acid jazz, lounge, soul e grooves. E a crew A Cabana. Também tenho a Chacoalha, trabalho em parceria com outros DJs.

Qual/Como foi o seu primeiro contato com a música eletrônica?
Através do irmão de um amigo de escola, em meados de 1988. Ele tinha uma turma de amigos que se reuniam nos finais de semana na casa deles para escutar música e encher a cara (rsrsrs), e, sempre que podíamos, estávamos na volta para ouvir os discos também. A trilha perambulava entre Kraftwerk, Depeche Mode, Front 242, The Human League, Art Of Noise e por ai vai. Eles escutavam essa mistura de synth pop, new wave, música eletrônica, disco, e isso foi me atraindo. Aos poucos fui conhecendo mais e pesquisando sobre as bandas, procurando onde encontrar tais discos e suas referências.

Como nasceu o amor pela música?
Isso vem de família. Meu tio, por parte de Mãe, foi DJ na época da adolescência dele. Lembro que meu primeiro toca-discos foi ele quem deu, era um Philips 623, tinha um formato de maleta onde a tampa se transformava em 2 caixas de som (ainda estou procurando um em bom estado hehehe). Também meu pai administrava um conjunto musical na época de exército dele, onde viajavam pelo interior fazendo shows em diversos clubes. Os irmãos dele sempre tocavam algum instrumento, guitarra, violão, gaita de boca, etc. Sempre fui envolvido pela música, mesmo que involuntariamente, mas ela estava sempre presente. Meus padrinhos tinham toda a coleção dos Beatles e Eu gostava muito de olhar os discos, escutar e conversar sobre eles quando nos encontrávamos. Agradeço muito por ter acesso a este acervo e toda esta experiência desde cedo, principalmente por ser através da minha família.

O que a música significa para você?
Sentimento, vida e renovação.

Qual é o seu estilo musical preferido?
House Music

Qual é o estilo musical predominante nos seus sets?
Eu procuro não me prender a um estilo, gosto de misturar sons e a partir disso desenvolver um set para fazer a pista dançar, ouvindo e sentindo o que estão dançando.

Por que a escolha destes estilos musicais?
Porque eu me coloco na pista quando estou tocando. Quando estou lá, quero sentir o ritmo, quero sentir groove, quero que a música me faça balançar, que ela faça eu me sentir parte daquele momento.

Para você, qual é a melhor música de todos os tempos?
Michael Jackson - Billie Jean. Sem sombra de dúvidas. Sou muito fã dele.

Qual é o seu DJ preferido? Por que?
Ricardo Villalobos. Pelo que ele apresenta em cada set, pela postura dele e a comunicação dele com a pista através da música. Pra mim ele é O Cara.

Quem é a sua maior inspiração?
Minha Mãe.

Existe alguma música que você nunca deixa de tocar nos seus sets?
Sempre tem aquelas que tu gosta mais, que tu sente que provoca mais reações na pista. Estas sim devemos prestar mais atenção e tocá-las por mais tempo. Não tenho uma em específico, digamos assim. Mas hoje Eu poderia dizer que, geralmente toco em quase todos os meus sets, é Hanfry Martinez - Often Break (Javier Carballo Remix). Essa Eu gosto muito e funciona muito bem.

Em qual pista você gostaria de tocar que ainda não tocou?
Tenho N lugares pelo mundo em que gostaria de tocar como Africa do Sul, Austrália, Japão, Inglaterra, México, Colômbia. Mas posso citar alguns como D-Edge, Warung... Ah, e no Festival Quinto Sol, no Chile, do Ricardo Villalobos (claro rsrsrs).

Qual foi o melhor momento da sua carreira?
Acredito que todos os momentos foram e serão os melhores. E ainda os que estão por vir. Precisamos estar em constante evolução para estarmos preparados para fazer sempre o melhor para o nosso público.

 
Qual foi o lugar (ou festa, em específico) que você mais gostou de tocar? Por que?
Foram diversos, mas cito Sky 12 Horas e Chacoalha com Ney Faustini. Foram momentos em que a pista estava em total sintonia, os elementos formavam uma energia única - DJ e Público.

Há alguém com quem você gostaria de tocar junto?
Existem diversos artistas ótimos por aí afora, acho que se a oportunidade aparecer com qualquer um, com certeza será uma experiência singular.

Qual é a sua visão sobre o crescimento da cena underground no Sul do Brasil?
Ainda vejo com alguns pontos a melhorar, amadurecer. Quando se fala em cena underground, não estamos apenas falando de música, DJ ou festas mas sim de um movimento cultural muito mais amplo. As pessoas têm uma visão um pouco distorcida muitas vezes sobre o termo, sobre o que ele realmente significa. Precisamos nos desprender de muitas coisas para enxergar o que é ser underground e/ou ser parte desta cultura. Estamos abrindo os caminhos, mas ainda falta muita pesquisa, muito conhecimento mais claro sobre Cena Underground. E isso só teremos a partir de nós DJs, produtores e incentivadores culturais, como no caso o Portal Underground, com as ferramentas certas para mostrar ao público como funciona, o que significa e qual o impacto dentro da nossa sociedade.

Depois de tantos acontecimentos grandiosos na cena underground do RS em 2014, qual é a projeção da cena para 2015?
Para os próximos anos vejo que temos muito potencial para realizar mais eventos assim, mas falta ainda clubs que incentivem a cultura noturna na capital e grande capital, abrindo espaço para novos trabalhos, sejam mensais, quinzenais ou semanais, pois é a partir deles que o movimento se fortalece e faz com que o público conheça e passe a querer fazer parte disso. A Latex, projeto que Eu tive com outros DJs da cidade, foi um exemplo disso. Começamos no verão, uma época que muitos repudiam fazer festa na capital pela cultura do povo de pegar a estrada para o litoral e só voltar sabe-se lá quando, e conseguimos formar um público que consumiu a nossa ideia, buscava pelas nossas festas. Isso hoje em dia não tem mais, por enquanto pelo menos (rsrsrs - novidades por vir), mas pode com certeza mudar.

Qual é a mensagem que você tenta passar para a pista na hora que está tocando?
Sintam a música e divirtam-se!

Mario Aguirra no Ecosounds Festival 2015:
 

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