Curiosidades DJs

Rodrigo Ferrari mostra fôlego de sobra para seguir surpreendendo

setembro 28, 2017Portal Underground


Rodrigo Ferrari é aquele tipo de artista que passa dias, tardes, noites criando em seu estúdio, aprimorando a técnica e nunca deixando de lado um dos elementos mais importantes para evolução de um artista: o estudo. Seja no Brasil ou na Inglaterra (país aonde Ferrari estudou engenharia de áudio durante alguns anos), a preocupação com a evolução de seu som esteve sempre presente. Não atoa, Rodrigo tem uma cuidado especial com aspectos técnicos ligados ao seu som e evita que seus releases sejam simplesmente carregados no Beatport sem um trabalho por trás disso. 

Atualmente, o DJ e produtor paulistano residente em sua cidade natal, aonde além de manter seu estúdio completo, também organiza a festa Sailor Goes House, quase sempre realizada aos domingos e conhecida por ter um público mais experiente e interessado na pista. Nessa entrevista exclusiva, Ferrari fala sobre os planos para 2017 e as novidades que suas ações dentro e fora do estúdio estão trazendo.

Confira a entrevista e  o set que ele gravou especialmente para o Portal Underground!


Olá, Rodrigo! Tudo bem? Sabemos que sua agenda é bastante agitada e constantemente você equilibra compromissos relacionados a produção de evento, discotecagem e produção musical. Como dar conta disso tudo? O que te motiva diariamente?

Olá Portal Underground, muito bom falar com vocês novamente! Realmente o ritmo por aqui é bem intenso, mas hoje conto com uma estrutura e parcerias que são essenciais para que eu possa seguir. É exatamente essa dinâmica, tantas novidades e os desafios que me motivam.

Seus mais de 20 anos de carreira não nos deixam mentir: você é um DJ oriundo de uma época diferente, um período onde fazer a pista dançar era o que realmente fazia a diferença. Atualmente, quão difícil é manter-se ativo no mercado e interessante frente a um público mais jovem acostumado com um turbilhão de informações? Quais estratégias você tem utilizado pra isso?

Com certeza era um cenário completamente diferente quando comecei em 1992. Não podemos nem entrar muito em detalhes de mercado, pois ele ainda estava se formando. As adaptações foram inúmeras e não param. A reinvenção é necessária até pra quem está começando agora. 

Sinceramente, não vejo como dificuldade e sim um prazer fazer parte de diferentes gerações, momentos, ainda participando ativamente. Estratégias, busco sempre uma forma de me recolocar, achar novos caminhos se necessário. Por mais que já haja uma boa história, tenho muitos planos pela frente, sou incansável! [risos]

Sobre a Sailor Goes House. Como tem sido comandar a label party? Quais são os planos para o restante de 2017?

Criamos o "Sailor Goes House" para reunir os amigos, tocar e ouvir boa música. Despretensioso, seguiu organicamente e este ano completou 5 anos já com algumas edições maiores intituladas OUT. Fora do nosso formato inicial, sunset aos domingos pra 200 pax, estas já reúnem cerca de 2000, sem mudar sua essência que acabou se tornando um diferencial. Ainda este ano em Novembro teremos mais uma edição no formato tradicional e em Dezembro outra OUT com line up nacional e internacional em mais uma locação inédita o qual também faz parte do nosso conceito.


Baseado em suas experiências em diferentes pistas do país, é possível dizer que uma determinada região ou outra tem correspondido melhor ao seu som? Se sim, qual?

Por onde passo tenho encontrado um público mais interessado na música eletrônica em geral, vindo da disponibilidade, do acesso a tanta informação e escolhas mais livres. Sem duvida uma consequência desta era global, como falamos ainda a pouco. O bacana de tudo isso é que há espaço para todos fazerem um bom trabalho. Cada vez mais núcleos estão se desenvolvendo para atender uma pista que já sabe o que quer. Sem duvida uma evolução cultural. 

Como suas influências mudaram ao longo dos anos?

Acredito que minhas influências musicais não mudaram e sim crescem com as novidades. A base delas estão claramente no final dos anos 70 com a disco, soul & funk, até o início dos anos 90 com a grande massificação do house e de movimentos como o Grunge. Dessa maneira minha identidade musical se formou numa mescla entre House, Deep House, Tech House e Techno. 



Sabemos que muita coisa mudou na cena eletrônica brasileira desde que você começou a trabalhar com música. Dentre essas, o que você sente mais falta?

Sinto falta de compromisso, de mais responsabilidade pelo o que está sendo feito. Muito imediatismo e quase nada de planejamento pelo todo. Nas devidas proporções, somos responsáveis pelo desenvolvimento, crescimento da cena, mas infelizmente está na consciência de poucos.

Na sua visão, o que difere um bom DJ dos demais?

Uma boa leitura da pista é essencial, além de outros conceitos básicos como técnica, repertório, postura, etc. Um artista não pode ter manual de instrução, pre programação, muito menos ser uma imitação, tem que ser original!


Para encerrar: gigs, novidades, lançamentos... o que vem por aí na carreira do Rodrigo Ferrari?

Muitas novidades! Por enquanto, além do próximo lançamento “Gasoline” que será um free download pelo label Klandestine, meus novos parceiros e o braço de tech house, techno do já conhecido Mixfeed, já tenho programado ainda este ano mais um pelo selo alemão Get Physical, outros dois EPs nos labels East Recordings e Deeplomatic Recordings, além de um VA pela Miami Underground para o ADE. Entrando Outubro terei o prazer de participar, e já com saudades, dos 20 anos do Anzu em SP. O clube que tanto contribuiu para cena eletrônica, e onde tive minha primeira grande residência logo q abriu em 1997, encerrará as atividades com esta última festa. Na sequência, embarco para um tour europeu, com passagens por Porto, Munique, Amsterdam, incluindo participação no ADE, Londres e Madrid. Novembro e Dezembro além das gigs por aí faremos mais 2 edições do Sailor Goes House como já falamos. E em 2018, logo no começo, sairemos com um novo projeto áudio visual de vanguarda, com produções próprias e grandes artistas na parceria. Aguardem!

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