Andre Salata DJs

Uma história de amor e muito estudo. Saiba mais sobre a carreira de Andre Salata

abril 05, 2017Portal Underground


Andre Salata despontou para a música eletrônica através de seu amor incondicional pelo techno e suas origens. Desde então, passou de aluno para professor, graças a uma jornada intensa de estudos que o rendeu conhecimento necessário para lecionar aulas de produção de música eletrônica, em turmas pioneiras do Brasil. 


Como Elemental X, conquistou uma respeitável discográfica, que foi aprimorada e evoluída em seu novo projeto, no qual Andre lança com seu nome original. Flertando com um estilo intenso de techno e tech house, Salata conquistou espaço e respeito em selos referências internacionais, como Get Physical Music e Noir. No primeiro deles, o brasileiro ganhou um remix do aclamado produtor britânico dubspeeka e ao lado de parte da crew do label, tocará no Watergate em festa de comemoração pelos 15 anos de vida da gravadora. 


Com um começo de ano surpreendente para aqueles que ainda não conheciam seu som e inspirador para aqueles que acreditam no seu trabalho, Andre Salata é hoje um dos grandes expoentes de uma safra de produtores nacionais com muito taleto e dedicação pela arte da produção. Aproveitando o grande momento de sua carreira, convidamos Salata para um bate-papo exclusivo, que você confere logo abaixo. 

1 - Andre, sabemos que você foi professor de música eletrônica na Universidade Anhembi Morumbi, como é o processo de traduzir a complexidade da produção musical em uma linguagem que seja compreensível para os seus alunos?

É um processo bem interessante, porque na Universidade nós temos que lidar com turmas com bastante alunos, onde o nível de conhecimento entre eles varia bastante. Então a tarefa difícil é preparar uma aula que não seja entediante para quem já sabe e que não seja muito pesada para os que conhecem menos. O que eles descobrem é que, mesmo os que já conhecem mais, sempre há algo novo para aprender. Nesse processo de lecionar, tento despejar a experiência durante as explicações para tornar o tema cativante.


2 - Você acredita que essa capacidade de "explicar o inexplicável" faz a diferença no momento de produzir as suas próprias músicas? 

Acredito que o processo fique mais agilizado, uma vez que você passa a trabalhar menos com tentativa-e-erro e mais preciso no que quer ou o que você sente que a música precisa, principalmente em áreas mais técnicas, como timbragem e mixagem. Daí o resultado é que as coisas saem do forno mais rápido e se não estiver dando muito certo, você não perde tempo patinando, já que sabe que aquilo não compensa.


3 - Seu EP, Magnetism, está sendo super bem recebido pela imprensa, com destaque até na DJ Mag. Quais são seus planos para os próximos lançamentos? Se aprofundar na mesma linha de som ou seguir um rumo diferente?

O EP Magnetism, especificamente a faixa Magnetism, é o exemplo do que eu quero seguir. Ela nasceu 100% no feeling. Eu estava a toa e quis aproveitar o tempo produzindo. Fiz no laptop e fone mesmo. Sentei na cadeira e fui construindo o groove, daí surgiram os synths, efeitos e tudo parecia combinar. Montei o arranjo super rápido, pois as coisas ficaram “desenhadas” na minha cabeça e a track saiu, sem moldes pré prontos, sem fórmula. Espero que as próximas faixas sejam dessa maneira, sem ficar se prendendo a receitas.


4 - De certa forma, ser DJ e produtor é traduzir os sons orgânicos que existem na sua mente por um meio sintético para que se ensine algo para a pista. Você concorda? 

Sim, concordo. Na verdade como sempre gostei muito de estar na pista, daquela vibe da galera curtindo o set de um DJ, sempre construo os arranjos me imaginando lá, pensando no que faria eu ficar com o braço pra cima marcando o beat do som. Daí a tradução da mente pro meio sintético se torna mais simples.


5 - Para finalizar, você é original e residente atual de São Paulo, além de participar ativamente da cena local. Como você vê esse processo de amadurecimento da cena clubber no meio urbano da capital paulista? 

Eu vejo um amadurecimento de pessoas buscando algo que desconectem elas do dia-a-dia e, nos dias de hoje, parece que isso ocorre justamente fora dos clubes. A cena de festas independentes, em locações “incomuns”, oportunidade do surgimento de novos artistas, surgimento de um novo público consumidor, tudo isso só edifica o que a música eletrônica se propõe. Essa renovação é muito bacana e tem bastante gente sabendo aproveitar disso tudo, para a alegria de nós, amantes desse universo.

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