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O catarinense tarter acaba de lançar seu próprio selo e mira um 2017 de crescimento

janeiro 11, 2017Portal Underground

O ano de 2017 começou ainda mais movimentado para o DJ e produtor catarinense tarter. O artista da D AGENCY é um dos nomes mais promissores da cena techno nacional e após uma temporada de estreia em grandes clubs do país, ele se prepara para novos desafios no ano que acabou de começar. 


Ao lado do também DJ e produtor Kleber, tarter acaba de anunciar a Urban Soul, uma plataforma criativa voltada para o techno e para experimentações baseadas nas influências urbanas. Na semana passada, seu novo podcast foi lançado pelo Warung Waves, canal oficial do Warung Beach Club, que lança residentes e artistas com relação próxima ao club. Nesse início de ano, convidamos tarter para uma entrevista e o resultado desse bate-papo você confere logo abaixo. 


1 - Olá, tarter! Na última semana você lançou um podcast pelo canal do Warung Beach Club. Isso significa que sua estreia no club está próxima?

Para mim a gravação e o lançamento desse podcast pelo Warung Waves é a realização de um grande sonho. Ter meu nome vinculado com o principal clube do pais é muito gratificante e importante para minha carreira. Esse podcast foi o mais importante para mim até hoje e o que mais fiquei nervoso para gravar. Gostei muito do resultado e espero que o pessoal tenha gostado também. Sobre a estreia no club, eu tenho a convicção que tudo acontece na hora certa e que para cada momento que iremos viver é necessário preparação. Estou há muito tempo me preparando para o dia que isso vai acontecer, mas entendo que a curadoria de um clube igual ao Warung trabalha com meses de antecedência e com diversos fatores para a montagem de um line up. Então, continuo o meu trabalho para que quando essa hora chegar eu esteja ainda mais preparado para viver o dia mais importante da minha carreira. 



2 - O ano de 2016 certamente foi o mais importante da sua carreira, não é mesmo? Fale um pouco sobre as principais mudanças que aconteceram e quais foram as principais novidades que surgiram ao longo do ano

O ano de 2016, apesar de toda a crise que o Brasil passou, foi excelente para mim. Foi o ano que entrei para a D AGENCY e pude tocar em cidades e eventos que até então eram algo impossível para mim. Conheci pessoas fantásticas, fortaleci muitas parcerias e me tornei muito mais profissional. Participei do RMC, a maior conferência sobre música eletrônica do país e consolidamos a realização de um sonho que era abrir uma gravadora. A Urban Soul foi oficialmente lançada no começo desse ano, mas todo trabalho de concepção da ideia e conceito já vem sendo lapidado internamente há alguns meses, assim como os primeiros lançamentos, que estão fantásticos. 

3 - Como é atualmente seu relacionamento com o público gaúcho? Quais são suas impressões sobre a música eletrônica aqui no estado?

O RS é demais! Ano passado estive alguns dias em Passo Fundo e pude conhecer de perto o calor do povo gaúcho. Fui muito bem recebido por todos e tive uma gig fantástica no hoss club. Tenho muitos amigos que movimentam a cena do estado e vejo o quanto e cada vez mais as festas estão consolidadas por ai. Beehive, Colors, Muinho, Mohave, Levels... vários eventos trabalhando a musica conceitual, com publico fiel e muitos sold outs. Isso mostra que o povo gaúcho está antenado ao mercado mundial. Tenho varias pessoas do RS que acompanham meu trabalho e comentam, mandam mensagem perguntando sobre futuras datas no estado, fico muito feliz com isso e com certeza me sinto em casa quando estou ai. O mais incrível é que o povo está curtindo a linha de som que eu amo, isso é motivador demais. 


4 - Dentre tantos os suportes que você já recebeu, há algum que considera mais importante ou especial?

Eu vou ser eternamente grato ao Richie Hawtin. Graças a ele tudo isso vem acontecendo até hoje. Por um suporte massivo do meu primeiro EP em 2014, fez que meu nome deixasse de ser um DJ e produtor local de Brusque para um nome conhecido nacionalmente. Em uma conversa na última vinda dele ao Warung, pude agradecer pessoalmente tudo que ele fez por mim. Outro que me encho de orgulho é o Renato Ratier. Na ultima vez pude ouvir de cima da cabine do Warung ele tocando minha track no aniversário em novembro, eu não sabia se filmava, dançava ou me emocionava. 


5 - É muito nítido que o Brasil está passando por um momento de muita popularidade do techno. Como você enxerga os artistas que estavam em outras vertentes e agora migraram para o techno? Oportunismo ou versatilidade? 

É um assunto complicado, pois existem muitos oportunistas e grandes artistas versáteis. O artista versátil já vem tocando techno há muito tempo só que de forma mais tímida, arriscando algumas tracks em seus sets, que passavam despercebidas e com a popularização do techno por aqui, ele pode arriscar mais tracks só que sem perder a sua identidade. E daí vem os oportunistas, muitos nem techno estão tocando, e outros acabam indo na onda, tocando top 10 do Beatport, tornando-se uma jukebox do publico. Infelizmente quando algo se populariza é assim, tudo virou techno. Acredito que para você criar uma identidade dentro de um gênero demora muito, desde que sou DJ profissional sempre vesti a camisa do techno e nesse meio tempo conheci e experimentei varias linhas dessa vertente para chegar no que toco hoje. Isso é uma variação constante, você pesquisa frequentemente novos artistas e mostra para o publico novas sonoridades dentro do gênero. Essa é a essência de ter uma identidade, quem vive indo no hype da musica nunca terá seu perfil e o respeito de quem entende. Acredito que em 2017 acontecerá isso com o minimal, o estilo ficou mais forte em 2016 aqui no Brasil e nessa onda aparecerão muitos DJs explorando essa linha. 

6 - Fale um pouco sobre suas principais influências e como elas tem se transformado ao longo da tua jornada como artista.

Acabei de citar acima que dentro das minhas pesquisas ao longo desses anos pude conhecer e experimentar diversas linhas do techno. Isso foi importante para o amadurecimento fortalecimento da minha identidade. Uma das pessoas que sempre tive total admiração e tenho até hoje é o Dubfire. Aprendo a cada apresentação dele e acredito que ele seja dentro do meu gênero o artista que mais evoluiu. Graças a ele aprendi muitas técnicas e apurei meu gosto musical. Acompanhei toda a evolução musical dele nesses últimos anos. Richie Hawtin, Adam Beyer e Ben klock são artistas que acompanho muito também, pois exercem muita influência na linha de som que gosto de pesquisar, tocar e produzir.

7 - Você foi uma das atrações da festa de Natal do D-EDGE, não é mesmo? Como tem sido pra você tocar no club paulistano, que é um dos principais do mundo?

Tocar no D-EDGE é algo especial, sempre me dá frio na barriga e faz minhas mãos suarem. O clube é o lugar que mais sou bem recebido e que possui total estrutura para que qualquer artista do mundo se apresente. Me sinto honrado de fazer parte dessa família e ter espaço para mostrar meu trabalho na cena paulistana, onde o público é antenado nas novidades e está acostumado a ver grandes artistas com frequência nos line ups da casa.


8 - Para finalizar, uma pergunta especial. Aonde você se imagina daqui a 10 anos?

Voltei um pouco para traz, me fiz essa pergunta há 10 anos e realmente eu jamais esperava que estaria aqui hoje. Aconteceu muita coisa durante 10 anos, na época eu não pensava em viver de música e hoje estou totalmente crente que daqui 10 anos eu quero estar fazendo o diferencial pela cena nacional, quero que além do meu trabalho como DJ e produtor, eu possa estar exercendo algo pela cultura e pela popularização da música eletrônica no país. Quero que meu selo esteja consolidado e exportando música do Brasil para o mundo e importando artistas e músicas para o Brasil. Que eu possa ter conhecido os 4 cantos do planeta através do meu trabalho e que o Brasil esteja vivendo o melhor momento da música eletrônica. Obrigado galera, foi uma honra conversar com vocês. Espero que todos tenham gostado como eu. Grande abraço e nos vemos em breve RS!

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