DJs Fran Bortolossi

Entrevista com Fran Bortolossi - DJ, Produtor e Idealizador da Festa Colours

fevereiro 10, 2015Portal Underground


Fran Bortolossi é um dos DJs e produtores que faz com que a cena eletrônica underground do Rio Grande do Sul se fortaleça, se torne cada vez mais rica e variada e venha se mantendo em crescimento constante por vários anos. Ele é protagonista da cena como DJ e produtor musical e, além disso, é o idealizados da festa Colours - festa que tem edições no RS e em SC e é referência nacional no ramo.

Fran começou a tocar em 2006 na Serra Gaúcha e faz festas desde 2009. Seu talento se revela nas mixagens, produções e na construção de seus sets de House Music.

Através da entrevista de Fran para o Portal Underground, entenda mais um pouco sobre sua história, sobre suas ideias a respeito da Colours, sobre a cena underground e sua vida como um todo como DJ.

Que tal escutar um set dele enquanto lê a sua entrevista?


Trabalha como DJ há quanto tempo?
Trabalho como DJ há 8 anos. Obviamente no início era algo mais despretensioso, e acabei me tornando um DJ profissional de fato quando terminei a faculdade.

Como foi o seu primeiro contato com a música eletrônica?
Desde muito cedo minha irmã já ouvia alguma coisa de música eletrônica, meus amigos também, e eu sempre gostei bastante de frequentar festas e clubes. Nessa época eu era muito mais ligado em rock e hip hop, e música eletrônica (comercial da época que eu tinha acesso) não me agradava muito. Porém em 2005 fui morar no Canadá, para fazer intercâmbio e estudar Direito (faculdade que cursava no Brasil) e alguns amigos me levaram para ver Mauro Picotto. Esse provavelmente foi o primeiro momento que de fato curti a música eletrônica que estava tocando e passei a realmente me interessar por isso. Logo em seguida vi Sasha, Steve Lawler, Flash Brothers, Tiesto, tudo num intervalo bastante curto de tempo e comecei a pesquisar bastante sobre a música que tocava nos clubes de Toronto naquela época.

Como nasceu a ideia da criação da Colours?
Eu já fazia e organizava eventos há bastante tempo, até mesmo de música eletrônica. Na época, eu tocava em alguns lugares da região, e não tinha oportunidade de tocar o que de fato eu gostava. Ai, um dia, conversando com um amigo e tomando umas cervejas, estávamos relembrando algumas festas que gostávamos. Falamos da Festa Cores, que tinha nas ruínas do cassino de Gramado durante o Festival de Cinema. E logo em seguida, veio a ideia e a lenda que dizia que o Jimi Hendrix via cores nas notas musicais. Como um tipo de homenagem a festa que a gente curtia, e ao Jimi Hendrix que eu ainda sou fã, ali surgiu o nome da Colours.

Como nasceu o amor pela música?
Isso vem de muito cedo. Tenho alguns músicos na família, e mesmo criança já tocava um pouco de piano. Num dos meus aniversários ainda criança, comprei um violão e passei a estudar o instrumento. Além disso, meu irmão coleciona CDs e discos, meu pai da mesma forma. Sempre tive muito acesso à música dentro de casa.

O que a música significa para você?
Liberdade de expressão. Liberdade de criação. E depois de alguns anos trabalhando com a música, cheguei a conclusão que música boa é o que te faz bem e feliz, e isso de fato difere de pessoa para pessoa. O que é uma música boa para mim, pode ser horrível pra outras pessoas, e o inverso também rola. O negócio é não termos preconceito e divulgarmos o que a gente gosta sem criticar ou ofender os outros.

Qual é o seu estilo musical preferido?
Eu gosto de muita coisa. Obviamente de música eletrônica, diversos gêneros e sub-gêneros dela. Também gosto bastante de Rock, Hip Hop, Soul, Funk, MPB, World Music. Escuto muita coisa e passei minha vida inteira ouvindo muita coisa diferente.


Qual é o estilo musical predominante nos seus sets?
Maior parte é house music. Gosto bastante de techno também, mas sou bastante específico no meu gosto nele. Dentro do house, acabo tocando muito deep, tech house, acid e as vezes um pouco de electro.

Por que a escolha deste(s) estilos(s) musical(is)?
Acho que é um amadurecimento da discotecagem desses anos de carreira. Já fui residente de clubes e ainda sou, e tenho a possibilidade de tocar praticamente todos finais de semana. Obviamente a música muda muito rápido, mas acho que esses gêneros permanecem os mesmos por mais tempo.

Para você, qual é a melhor música de todos os tempos?
Pergunta bastante difícil essa. A música mais executada no meu iTunes é Eddie Vedder - Society. Acho que do meu iPod é Fugees - Fu-Gee-Laa (Refugee Camp Global Mix).
Acredito não ter uma música preferida em específico. Ou ter uma como a melhor música, ou música ideal. Talvez se tivesse que escolher uma que eu acho que nunca vai ficar velha, e que sempre vou achar incrível seja Pink Floyd - Marooned.

Qual é o seu DJ preferido? Por que?
Gosto de vários DJs. Poderia citar alguns que nesses vários anos não me decepcionaram e sigo gostando do que eles fazem. Steve Lawler, Seth Troxker, Laurent Garnier, Nic Fanciulli, Joris Voorn, Carl Craig. Esses DJs que cito, são os que transitam mais dentro do house e techno, e acho que isso é uma qualidade ímpar para um DJ. Sendo mais específico, dentro de gêneros, teriam outras várias preferências também. E isso vale para produtores. Acho que na maioria das vezes, um bom DJ não é um bom produtor. Talvez o que chegou mais perto da excelência nos dois lados seja o Laurent Garnier.

Qual (ou quem) é a sua maior inspiração?
Acho que são as viagens, bons momentos com minha família e namorada, a boa convivência com os amigos, as festas boas por onde passo. Tudo isso acaba virando inspiração e motivação para continuar.

Existe alguma música que você nunca deixa de tocar nos seus sets?
Dificilmente, eu tenho evitado tocar músicas mais antigas nos meus sets, apesar de gostar de várias. Mas acho que duas músicas que repito e acabo tocando bastante são Kink - Existence e Marco Carola - Play It Louder.

Em qual pista você gostaria de tocar que ainda não tocou?
Pretendo viajar para Europa e tocar por lá, fazer mais shows em outros países da América Latina. No Brasil, existem algumas festas que ainda não toquei, como 5uinto em Brasília, festas em Cuiabá, no RJ alguns clubs como 00, Fosfobox. Ainda faltam alguns lugares legais que não consegui me apresentar por aqui.


Qual foi o melhor momento da sua carreira?
Acho que tive vários melhores momentos. Tive várias pessoas que me ajudaram, principalmente os DJs e produtores mais antigos que praticamente me adotaram como "um cara das antigas".
Acho que 8 anos na carreira de um DJ não é muito tempo, mesmo a gente vendo alguns fenômenos nacionais que estouram de uma hora para outra. Kolombo, Fabricio Peçanha, Marcelo Nunez, Juan Rodrigues, Pimpo Gama, Rapha Costa, todos esses caras são DJs mais antigos do que eu, e acabaram abrindo muitas portas para eu trabalhar, por isso tenho muito respeito por todos eles.

Qual foi o lugar (ou festa, em específico) que você mais gostou de tocar? Por que?
Eu gosto muito de tocar em clubes. Acho essencial para a cultura da música eletrônica a existência desses locais. A minha residência de vários anos no Havana Café em Caxias, D-edge, Warung, Colours, Vibe, Amazon, terraço da Save. Gosto muito de tocar em todos esses lugares. Recentemente a Privilege em Buzios foi uma surpresa muito positiva também.

Com quem você gostaria de tocar junto?
Acho que qualquer um dos que citei acima seria divertido (Steve Lawler, SethTroxker, Laurent Garnier, Nic Fanciulli, Joris Voorn, Carl Craig). Mas me divirto muito tocando com meus amigos, DJs locais e alguns outros nacionais e internacionais que gosto do trabalho também.

Qual é a sua visão sobre o crescimento da cena underground no Sul do Brasil? E como você vê a Colours impactando na cena? Qual critério para a escolha dos artistas?
Acredito que nos anos mais recentes, a cultura da música eletrônica underground tem crescido bastante. Acho que a Colours ajudou bastante essa mudança, porque desenvolve um trabalho no RS há 6 anos num local que antes dificilmente era rota de grandes DJs do circuito, porém não a vejo como a única responsável. Temos núcleos ativos em boa parte do Estado e muita coisa vem acontecendo recentemente.

Quanto à Colours, nos bookings de artistas que faço, eu busco DJs que agreguem público, e da mesma forma saibam tocar e entendam de música. Obviamente enfrentamos concorrência na região, tivemos muitos problemas durante esses anos que estamos atuando, e não podemos brincar em serviço. Estamos na segunda região mais populosa do Estado, e Caxias hoje em dia tem cerca de 600 mil pessoas, portanto não é fácil trabalhar aqui, o público tem diversas opções de noite para curtir, e temos que nos preocuparmos em sermos a melhor delas. Sobre outro critério que sempre presto atenção é de que evitamos DJs polêmicos com opiniões que dividam ao invés de agregar.

Importante frisar que tenho residentes que sabem tocar e conhecem o nosso público, e que na maioria das vezes, estão tocando também porque trabalham com a festa e para a festa funcionar, e isso é algo que algumas pessoas não conseguem entender. Dou prioridade sim para meus amigos, pessoas que tenho empatia, e que haja uma relação de admiração e respeito mútuo, como qualquer outra festa ou clube tem suas figuras marcadas. Essas pessoas normalmente tem preferência sobre as outras porque tenho certeza que elas buscam o melhor para a festa, assim como eu. Aliás, acho que a festa é tão deles, como minha. Vale citar os caras aqui, né?! (Caio Busetti, Ander Oliveira, Fer Oliveira, Juliano Cortiana, Juan Rodrigues, Doxxo, Beto Biasio).

Temos também nomes nacionais e internacionais na nossa história, como Phonique, Kolombo, Loulou Players, Gui Boratto, Fabricio Peçanha, Boghosian, Diogo Accioly, João Lee, China, além de muita gente que já passou. O motivo de eu repetir essa galera várias vezes? É justamente por tudo isso que falei acima, por terem sido responsáveis por noites ímpares, e também por acreditar que todos eles tem qualidade musical de sobra pra colaborar e conceituar a festa da forma que queremos, trazendo novos seguidores e da mesma forma agradando os ouvidos antigos mais exigentes.

Qual é a mensagem que você tenta passar para a pista na hora que está tocando?
Tento informar com coisas novas ou antigas que valham a pena, mas obviamente quero sempre a pista se divertindo também. Vejo muito o lado de que a maioria das pessoas passa a semana inteira trabalhando, para se divertir nos finais de semana, e várias vezes, elas contam com a figura do DJ para isso (e não devemos decepcioná-las).
Acho que também com o passar dos anos, tenho desenvolvido melhor a minha identidade como DJ, e aos poucos, estou amadurecendo e achando melhor o que quero tocar, coisas que são agradáveis para mim, e da mesma forma funcionam na pista.

Conheça as produções de Fran:
 

Mais conteúdo que pode te interessar

0 comentários

Formulário de contato